sábado, 26 de março de 2011

Ninguém venha me dar vida

Ninguém venha a me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, porque chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.
[Cecília Meireles]

lugares proibidos

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve pra longe

    Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
    Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
    Venero a saudade quando ela esta pra terminar

Gosto de fazer amor fora da hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem data

    Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
    E de telefone, se do outro lado é a sua voz
    Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
    Venero a saudade quando ela esta pra terminar
                                                                                        [Helena Elis]